quinta-feira, 17 de maio de 2012

No ápice de um olhar


Meu amor é diferente, é platônico. Não é algo concreto, se reduz apenas ao olhar. Um simples olhar que pode mudar tudo. Um simples desejo que pode aumentar, ou um sonho que pode acabar. Mas não me preocupo com isso. Gosto de aproveitar o momento.
Tudo o que dizem a respeito de que “os olhos são a janela da alma”, pode ser verdade. A forma mais eficiente de descobrir se alguém está mentindo, é olhando no fundo de seus olhos. Porém estes também são mentirosos, uma vez que cada um interpreta do jeito que deseja. Não há regras, não há um padrão, é o que dificulta a interpretação.
Mas agora, cá estou eu, te olhando e sim, você está sentindo. Já não consigo mais me enganar. É como se eu não tivesse mais controle sobre mim. Meus olhos não conseguem se manter longe de você. Eles estão te examinando, de cima a baixo, em todos os ângulos. Minhas mãos estão suando. Meus pés, impacientes. Como que a presença de uma única pessoa pode mudar tanto o agir de outra?
Sua fala, calma e com gírias, sua risada, contagiante. Seu estilo despojado, skatista, a guitarra pendurada em seu ombro. Só podem querer me seduzir. Mas eu não posso dizer nada. Me mantenho em silêncio, guardo meu desejo mas não consigo esconde-lo. Um sorriso brota em meu rosto quando eu menos imagino. Você percebe, fica sem jeito. Adoro isso em você.
O tempo passa, mas eu não percebo. Você está em minha direção contando piadas aos seus amigos as quais não consigo evitar em ouvir. São engraçadas; mais uma qualidade em você. Sem querer me pego rindo. Você me olha e minhas faces coram. Já não sei mais como agir quando você está por perto. Percebo que você está me olhando. Como interpretar esse seu olhar? Desvio meus olhos.
De repente ouço um barulho. Um ônibus acaba de chegar. Volto à realidade e me lembro de que estou a caminho de casa. É a sua carona, minhas chances se foram. As pessoas começam a subir as escadas e junto com elas, você.
Minha cara se afunda em tristeza. Te vejo entrando no ônibus e sentando perto à janela. Ainda consigo observar cada detalhe seu; os últimos que verei. Seu cabelo perfeito, seu sorriso maroto, seus olhos claros e brilhantes. E quando a porta se fecha, você sorri para mim e o ônibus se vai.

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